Estratégia, Planejamento e Comunicação

Não estamos sós

Postado em 22 de outubro de 2008 por: maju - Sem comentários »

Quando decidimos mudar totalmente o foco da ID Comunicação e seguir nosso sonho e projeto profissional (veja mais em Diretrizes), alguns acharam que éramos loucos, outros acharam que éramos ousados demais e outros ainda nos olharam assustados sem saber o que dizer.

Mas já era uma decisão tomada e não tinha mais volta. Sempre fomos assim, desde a faculdade, quando acreditamos em algo vamos até o fim. E para completar o quadro, temos o saudável hábito de ler muito, mas muito mesmo, sobre tendências nas mais diversas áreas e começar a aplicar algumas dessas tendências já no presente, não ficamos esperando o futuro bater na porta.

Temos que admitir que não é um caminho fácil, mas está sendo muito bom percorrê-lo. E ficou ainda melhor depois que conhecemos Russel Davies, criador da Open Intelligence Agency, que ele define como “uma consultoria para marcas e pessoas”. Foi interessante e, principalmente, motivante saber que estamos alinhados em pensamentos e ações com mentes privilegiadas e brilhantes como a de Davies. Por isso, transcrevemos alguns trechos da sua entrevista concedida ao Meio & Mensagem desta semana.

“Davies nasceu na cidade britânica de Derby e diz que ‘após falhar como pop-star e escritor de piadas’ foi parar na publicidade. (…) Em 2006, deixou de ser executivo para criar a Open Intelligence Agency, que se define como uma consultoria para marcas e pessoas. O negócio é pequeno na estrutura e tem como colaboradores Emily Reed (Sidney), Jeffre Jackson (Amsterdã) e David Nottoli (Nova Iorque). Mas o alcance é global, até porque, como diz o próprio Davies, com quatro laptops eles podem estabelecer qualquer rede global de cérebros, experiências e imaginação.”

M&M – Da experiência de quem vive em contato com agências e anunciantes de todo o mundo, quais são as questões que merecem um olhar mais profundo nesses próximos anos?
Davies – Há várias delas sendo discutidas. Uma é a escapada dos talentos. As pessoas criativas, interessantes e inteligentes, não querem mais trabalhar em publicidade. Elas preferem atuar em digital, mobile, design ou em alguma outra coisa. (…) Todas as mídias estão se tornando mais baratas e, por causa disso, o potencial para que elas se tornem carregadas de spams horríveis cresce a todo instante. Eu me preocupo com isso, porque longe de se tornar mais focada, a publicidade acaba ficando mais espalhada.

M&M – Esses são os aspectos principais?
Davies – Não posso deixar de citar também a questão da sustentabilidade, que irá impactar a publicidade de diversas maneiras. O tipo de consumismo desenfreado que estimulamos terá de mudar. (…) Nossos clientes vão nos fazer parar de desperdiçar papel, parar de deixar as luzes ligadas e parar de voar. Mas se olharmos sob a perspectiva das oportunidades, se conseguirmos inventar uma nova visão para um capitalismo sustentável e pudermos levar isso para o mundo em desenvolvimento, então poderemos finalmente estar aptos a fazer algo realmente útil.

M&M – O que a Open Intelligence Agency faz exatamente?
Davies – É difícil expressar o que fazemos – tanto porque não nos é permitido falar sobre a maioria dos projetos de que participamos, como porque fazemos algo diferente sempre. Talvez seja mais fácil dizer que somos quatro amigos que eram planejadores em lugares diferentes ao redor do mundo. Trabalhamos com marcas, agências e pessoas e as ajudamos com estratégias, criatividade e fazendo coisas.

M&M – Como foi sua experiência em agências de publicidade?
Davies – Trabalhei na maioria dos departamentos. Comecei como mídia, virei gerente de contas e, finalmente, fui para o planejamento. (…) Quando planejador, fiz muitos trabalhos no digital para Coca-Cola, Nike, Microsoft, Miller, Honda e Nissan. E muitas outras contas menores. (…) Agora o que quero é trabalhar no que está por vir. Aproveitar as habilidades obtidas no mundo da publicidade e aplicar em outros lugares.

M&M – O que você acha do atual modelo de agências?
Davies – Sempre é tempo para um novo modelo de publicidade. Mas só para algumas pessoas e algumas agências. É sempre bom lembrar que você não pode criar um modelo único de publicidade que funcione em todo e qualquer cenário. E é especialmente bom lembrar que as pessoas que são naturalmente boas em criar comunicação e intuitivas sobre o entendimento do que o público vai achar interessante não operam de acordo com as regras tradicionais da publicidade. (…) As pessoas de grande comunicação criam sua própria maneira de trabalhar. Elas não seguem alinhadas às metodologias e ferramentas de algumas redes globais de comunicação.

M&M – Qual sua avaliação sobre a publicidade atual?
Davies – O fato é que existem algumas coisas que estão gerando a necessidade de um novo modelo. Uma delas é que as pessoas não gostam de publicidade. (…) Então, quando as pessoas têm a opção de não assistir à propaganda, assim o fazem. (…) Outro fator que pesa é que as empresas também não gostam de publicidade. É caro e ninguém sabe se está funcionando ou não. (…) Costumava-se dizer que as empresas precisavam de publicidade cara para fazer as pessoas conhecerem seus produtos. É uma grande mentira. Para muitos clientes, provavelmente, agora é melhor investir na criação de serviços extras ou melhorar a qualidade dos produtos do que investir dinheiro em marketing. Para terminar, a cultura também não gosta da publicidade. Nas culturas mais influentes a propaganda costumava ser uma das coisas mais interessantes que existiam. Era algo cheio de novas idéias, novas técnicas, um grande escape para as pessoas criativas fazerem coisas novas. Isso é menos verdadeiro agora. A web e todo o resto do digital indicam que hoje existe todo o tipo de saída para a criatividade. Conforme a publicidade se torna menos efetiva, ela invade mais espaços em nossas vidas. E menos gostamos dela.

Valeu, Davies. Foi um prazer conhecê-lo. Temos muito ainda por desenvolver e aprender, mas é bom saber que não estamos sós.

Para ler a entrevista completa clique aqui (somente para assinantes M&M).

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